David Mello: gratidão, paciência e mais uma volta pelo Brasil
Após 51 voltas pelo Brasil, David Mello fala sobre companheirismo, a importância do apoio e a paciência para seguir até a próxima largada.
Um tentando ajudar o outro para ir mais uma volta. É assim que David Mello resume a convivência com os companheiros de seleção no Mundial Backyard Ultra de 2026. Em Maranguape, no Ceará, ele completou 51 voltas, cerca de 342 quilômetros, e terminou como um dos assistentes de Paulo Sérgio, vencedor da disputa brasileira com 52. Rafael Freitas Soares também chegou às 51.
Para David, a experiência começa com gratidão pela vaga conquistada e passa por uma palavra que ele faz questão de destacar: paciência. Entre o desafio do percurso e a ajuda recebida no apoio, ele conta o que levou desse quintal — e encontra até em Dragon Ball uma maneira de explicar a cultura Backyard.
O apoio aparece também como aprendizado para a próxima prova. Neste Mundial, David compartilhou a estrutura de apoio de Sérgio e destaca a chegada de Darly em um momento difícil. Para o próximo quintal, quer contar com um apoio individual experiente, que o ajude nas horas de baixa e lhe dê tranquilidade para se concentrar na corrida. A ajuda compartilhada atravessa seu relato, dos companheiros de seleção aos intervalos entre as largadas.
Equipe BYU: Quando você volta àquele quintal na memória, qual momento do Mundial dá vontade de contar primeiro?
David Mello: A primeira palavra é GRATIDÃO, sempre. Muitos gostariam de estar ali e, por um motivo ou outro, não puderam. É uma vaga conquistada com muito esforço, dedicação e muitos quilômetros rodados.
Equipe BYU: O que mudou para você ao correr pela seleção, com cada volta entrando na conta do Brasil?
David Mello: Uma satisfação imensa representar cada um que não pôde estar ali naquele momento. Deixar um legado: quando queremos muito algo, com esforço, dedicação e determinação, é possível.
Equipe BYU: Você, Rafael e Paulo Sérgio chegaram às horas finais da prova. Como era a convivência entre vocês nessa fase? Teve alguma conversa ou gesto que ficou marcado?
David Mello: Uma convivência de companheirismo. Um tentando ajudar o outro para ir mais uma volta.
Equipe BYU: Para quem está chegando à Backyard agora: o que significa ser assistente, na sua experiência? Como foi viver esse papel no Mundial?
David Mello: Na minha opinião, é ajudar o campeão a rodar o maior número de voltas possível.
Equipe BYU: Comparando com o lugar onde você mora e treina, o que sentiu de diferente nas condições do Ceará? Precisou adaptar alguma coisa ao longo das horas?
David Mello: O primeiro fator foi o clima quente e úmido. Minha região é quente, com umidade baixa. O segundo foi o terreno: trilha e variação no percurso, com pedra, buraco e mato alto. Só treino em estradão de chão batido e asfalto.
Equipe BYU: Quem estava no seu apoio e qual cuidado, comida ou detalhe do acampamento fez diferença quando o cansaço apertou?
David Mello: Era o mesmo apoio do Sérgio. Não me recordo do nome, mas sou muito GRATO. A Darly chegou em um momento-chave, quando o corpo e a mente já estavam chegando ao limite. Recebi um suplemento que me ajudou a voltar ao equilíbrio. Aí rodei mais algumas voltinhas! [risos]
Equipe BYU: Qual aprendizado desse Mundial você levaria para o próximo quintal — e dividiria tanto com um estreante quanto com quem já tem muitas voltas nas pernas?
David Mello: A primeira palavra é paciência. Não é quem chega primeiro na volta, é quem resiste mais voltas. No próximo, um apoio individual com experiência, porque ajuda nos momentos de baixa e dá tranquilidade para se concentrar só na prova.
Equipe BYU: Fora dos resultados, o que a Backyard representa nos seus dias?
David Mello: A Backyard representa a nossa vida. Você só consegue ir longe quando recebe e compartilha ajuda. Tudo fica mais fácil. Dragon Ball: Goku recebe energia e retribui combatendo o mal.
David encerrou suas respostas com uma referência bíblica: Isaías 40:28–31.